O pelicano é um animal muito devoto à sua prole. De acordo com a lenda, as crias de pelicano batem as suas asas de forma tão violenta no rosto dos progenitores que o "pai", em raiva, mata-os. Então a mãe perfura o seu próprio peito e revive as suas crias como o seu sangue. Deste modo, o pelicano representa um Deus zangado e vingativo que pune os Seus filhos, mas mais tarde arrepende-se e concede-lhes a salvação. Também ao alimentar a humanidade com o seu próprio sangue, representa a Eucaristia - este conceito tornou-se muito popular na Idade Média como resultado dos textos místicos de Santa Gertrudes de Helfta que, numa visão, viu Cristo desta forma. A Igreja fez dele um símbolo, no qual ele assemelhava-se ao Salvador, derramando seu sangue pela Igreja e pela humanidade. Por vezes o pelicano é representado no ninho no cimo de uma cruz, ou perto da Crucificação, representando a expiação.


Breviário de António de Burgundy, origem holandesa, c. 1475.



A abelha aparece como símbolo da indústria, creatividade e prosperidade, por causa da sua actividade pela organização do seu modo de vida e a sua habilidade para produzir e armazenar mel. É símbolo de sabedoria, pois recolhe pólen de variadas flores tornando-o num nutritivo e agradável néctar. Tão agradável é o seu sabor que, no perído Românico era significado de eloquência, tornando-se a colmeia um atributo de vários santos como São Bernardo de Claraval ou Santo Ambrósio, pois o seu discurso era "suave e doce como mel". Porque trabalham em comunidade e a sua sobrevivência depende de uma Rainha, é ainda símbolo da Igreja, onde todos devem trabalhar e produzir bens em prol uns dos outros.


Abelhas e Colmeias (detalhe), Livro de Horas de Catarina de Cleves, ca 1440, Pierpont Morgan Library M.945, fol.20, Utrecht, Holanda,



O cordeiro foi tido como o símbolo ideal para os primeiros cristãos representarem Cristo e o Seu sacrifício para salvar a humanidade. O cordeiro deitado representa o corpo ferido; sentado é a representação da Igreja triunfante. Um cordeiro a segurar uma cruz com sangue a escorrer do seu lado para um cálice é o Agnus Dei - o Cordeiro de Deus. Simboliza Cristo Crucificado e a Eucaristia. Um cordeiro que segura um bastão com um estandarte, decorado com uma cruz, representa a Ressurreição e Cristo como Redentor (Joao 1:29). Um cordeiro sentado num livro fechado com sete selos é o Cordeiro do Apocalipse (Rev. 5:12). O cordeiro como símbolo para Cristo normalmente usa um halo cruciforme em representação do seu carácter divino. Pode aparecer isolado ou então incluído numa coroa triunfal. Quando o cordeiro é representado com a figura humana de Cristo como o Bom Pastor, o cordeiro representa o pecador que é resgatado por Cristo. (Lucas 15:4).Em geral o cordeiro, pela sua natureza, representa a pureza, a inocência, a docilidade, bem como a vítima sacrificial e pode ser usado para representar virtudes como a temperança, a prudência e a caridade.

Agnus Dei, tímpano do portal sul da Igreja românica do Salvador de Bravães, séc. XIII, Bravães, Viana do Castelo, Portugal.

Foto retirada do site Flickriver da autoria de geoorgesf.